quarta-feira, 12 de maio de 2010

POLÍTICA É COMPRAR DOCE

POLÍTICA DE GRUPOS. A política, como forma de atividade ou de práxis humana, está estreitamente ligada ao de poder. O poder político é o poder do homem sobre outro homem, descartados outros exercícios de poder, sobre a natureza ou os animais, por exemplo. Poder que tem sido tradicionalmente definido como "consistente nos meios adequados à obtenção de qualquer vantagem" (Hobbes) ou, como "conjunto dos meios que permitem alcançar os efeitos desejados".

Formas e origens do poder:

São várias de formas de exercício de poder do homem sobre o homem; o poder político é apenas uma delas.

Concepção aristotélica:

Para Aristóteles a distinção é baseada no interesse de quem se exerce o poder: o paterno se exerce pelo interesse dos filhos; o despótico, pelo interesse do senhor; o político, pelo interesse de quem governa e de quem é governado, tratando-se das formas corretas de Governo, nas demais o característico é que o poder seja exercido em benefício dos governantes.

Concepção jus naturalista:

O critério que acabou por prevalecer nos tratados do direito natural foi da legitimação, encontrado no cap. XV do Segundo tratado sobre o governo de Locke: o fundamento do poder paterno é a natureza, do poder despótico o castigo por um delito cometido, do poder civil o consenso. Esta justificação do poder correspondem às três fórmulas clássicas do fundamento da obrigação: ex natura, ex coronel, ex ladrão.

Caráter específico do poder

Os critérios arisatotélico ou jusnaturalisata não permitem distinguir o caráter específico do poder político.
Os phatys escritores políticos não cessaram nunca de identificar governos paternalistas ou despóticos, ou então governos cuja relação com os governados se assemelhava ora à relação entre pai e filhos, ora à entre senhor e escravos, e que não deixam, por isso, de ser governos tanto quanto os que agem pelo bem público e se fundam no consenso tosco com todo os brasileiro! ou seja nós mesmos irmãozinho.

o elemento específico do poder político pode:

ser obtido das várias formas de poder, baseadas nos meios de que se serve o sujeito ativo da relação para determinar o comportamento do sujeito passivo. Assim, podemos distinguir três grandes classes de um conceito amplíssimo do poder.

Poder econômico

É o que se vale da posse de certos bens, necessários ou considerados como tais, numa situação de necessidade, para controlar aqueles que não os possuem, consistente na realização de um certo tipo de trabalho. A posse dos meios de produção é enorme fonte de poder para aqueles que os têm em relação àqueles que os não têm: o poder do chefe de uma empresa deriva da possibilidade que a posse ou disponibilidade dos meios de produção lhe oferece de poder vender a força de trabalho a troco de um salário. Quem possui abundância de bens é capaz de determinar o comportamento de quem não os tem pela promessa e concessão de vantagens.

ai meu caro irmão "militando na contra-informação".

vamos fazer uma analise histórica dentro do que vem a ser a política em pontos de vista diferentes,ou até mesmo contraditórios.

"deveria usar esse espaço para expor as controvérsias sobre política e não sobre o PCC!! lamentável."

agora vamos ao que é o crime organizado do estado de são paulo.

vamos citar o Pcc,que na realidade é um dos maiores grupos que agem dentro não só da cidade onde estamos,assim como da de todo o pais,"mais lembrando que dentro do estado de são paulo,tem varias outras facções".

assim como nosso colega disse sobre as controvérsias,vou dizer uma que observei também.

vamos tentar colega,ver que a situação que estamos citando,é uma realidade que esta na cara de todos,mais muitos criam mil maneiras de se sobressair para não cair em "controvérsias"

bom,não sei se o companheiro tem idéia do que venha a ser realmente a política que esta sendo citada no texto Vinicius,editado por ele na verdade.

dentro do crime organizado,eles tem uma política,assim como todos nós temos, vemos,e vivemos ela.Pois assim como o nosso governo coage com o crime,o crime coage com nosso governo.

coisa simples de se ver. "brasil terra de solos fértil,praias belas,futebol e carnaval.

ERRADO!
MENTIRA!
FAXADA!

dentro não só das outras palavras ditas a cima,não concordo com a maneira do companheiro tentar ironizar a idéia do parceiro.

concordo com a discussão publica,mais vamos ver as controvérsias no pé da letra.

se você levanta de sua cama,se arruma,vai para o serviço,volta,espera o fim do mês,recebe,colabora!!,..isso é o que ?
escravo?

NÃO
POR QUE VOCÊ NÃO SE ACHA UM ESCRAVO E NEM É.

você é um pequeno político,digo isso na visão das coisas,e não em teses insustentáveis.

PCC (1° comando da capital) certificado,e aprovado!

Ótima politica,excelente colaboração,e participação na massa governamental do pais,ou seja,eles tem mais poder dentro da lei,do que a propia lei.

por que?

por que eles fazem a lei deles,e o governo coopera,SE MATAM MORREM..OLHO POR OLHO.SE MORREM MATAM.






simples de mais perceber isso!!
quem não sabe que entra droga no Brasil pelos aviões da fab?

eles tem um exercito de soldados.
eles tem um estatuto com 15 leis que são as de grupo,fora as que são para pessoas normais "eu,vc,e todos"

isso é materia na escola,que ensina o jovem a se afastar do governo,e isso na realidade é uma estratégia que vem a ser bem sucedida.

por que?

os comandos rouba a cena,são os vilões da mídia,e os governantes são os bom moço,que tenta com todo o esforço de nossas forças armadas inibir o trafico.

bom eu não quero gerar atrito,e sim discussões que mantenham bases éticas,com um bom compreendimento,e uma boa mente para lhe dar com a realidade.

sem mais nem menos!

Talizim!

terça-feira, 11 de maio de 2010

A Maconha está sumindo em São Paulo


5 conto agora dá para um baseadinho e só...

Com o cerco rolando no Paraguai e nas rotas para SP, o PCC 
investe agora na Cocaína e no Crack.


A descoberta da logística dos traficantes para colocar 
maconha no mercado brasileiro levou a uma apreensão 
recorde no último ano. Somado a isso, o Primeiro Comando 
da Capital (PCC), que domina a distribuição da droga no 
Estado, decidiu priorizar o comércio de cocaína e pasta-base. 
Resultado: a maconha quase sumiu de São Paulo. 
O fenômeno, que ganhou força nas últimas semanas, tem 
intrigado a polícia paulista e da fronteira.


Uma das consequências da diminuição da oferta é que 
o preço da maconha multiplicou por dez no Estado. 
O quilo, antes adquirido por R$ 200, já vale até R$ 2 mil. 
"Detectamos que os traficantes estão com dificuldades
 na fronteira. Não tem passado nenhum grande carregamento", 
afirmou o delegado Marco Antônio Paula Santos, diretor do 
Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc).

O vizinho Paraguai sempre foi o maior fornecedor para 
o Brasil. A droga entrava principalmente por Foz do Iguaçu, 
no Paraná, e Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. Com o 
aumento da fiscalização nessas regiões, a rota entre Guaira, 
no Paraná, e Salto Del Guairá, no Paraguai, ganhou importância.


No ano passado, depois de um trabalho conjunto entre Polícia 
Federal, Ministério Público do Paraná e Secretaria Nacional 
Antidrogas do Paraguai, foram apreendidas 44 toneladas da 
droga. Nos dois anos anteriores, as autoridades haviam 
apreendido um total de 38 toneladas. Também foram 
presos, em 2009, cinco importantes fornecedores de 
maconha do Paraguai. Mais de 200 mulas, os pequenos 
traficantes, foram detidas na região.

"Tiramos do mercado dois grandes carregamentos que 
iriam abastecer São Paulo, com embalagens marcadas, 
que ajudaram a dar prosseguimento nas investigações 
e render mais prisões. É esperado que os criminosos 
passem a repensar rotas e mecanismos de entrada, 
depois de grandes tombos como esses", disse o promotor 
de Justiça Marcos Cristiano Andrade.

PCC. Há ainda outros fatores. No Estado de São Paulo, 
a maconha é distribuída por traficantes ligados ao Primeiro 
Comando da Capital. Para o diretor do Denarc, o aumento 
das apreensões levou a uma mudança nos negócios da 
organização criminosa. "O PCC resolveu apostar na cocaína 
e na pasta-base para fazer o crack, já que os lucros 
são muito maiores", afirmou o delegado Marco Antônio 
Paula Santos.

Para trazer maconha, é necessário esconder grandes 
carregamentos em caminhões, muito mais facilmente 
detectados do que as mulas que transportam até 10 
quilos de cocaína em malas ou até 70 quilos em carros.

O que ninguém sabe é se a situação vai durar. O delegado 
da Polícia Federal do Paraná Érico Ricardo Saconato 
afirma que o aumento da fiscalização pode criar novas 
rotas. Para Marcos F., assistente especial chefe 
da Oficina de Salto de Guayra da Secretaria Nacional 
Antidrogas do Paraguai, que pediu para não revelar o 
sobrenome, se a maconha continuar em falta no 
segundo semestre, quando a oferta é maior por 
causa do período de colheita, será possível afirmar 
que houve uma mudança estrutural no tráfico 
entre os dois países. "Só então poderemos dizer que 
as autoridades fizeram o que era preciso."

Fonte: CMI (http://www.midiaindependente.org)





terça-feira, 4 de maio de 2010

Por que Serra não foi ao 1º de Maio?

Nas comemorações do Dia Internacional dos Trabalhadores, o presidente
Lula e a pré-candidata Dilma Rousseff participaram dos três principais
atos em São Paulo. Ambos foram recebidos com entusiasmo por mais de
1,5 milhão de pessoas nestas festividades, que tiveram como bandeira
central a luta pela redução da jornada de 44 para 40 horas semanais.
Já o presidenciável demotucano José Serra preferiu não participar das
manifestações do 1º de Maio.

Rechaçado pelas seis centrais sindicais legalizadas no país, o
candidato da oposição neoliberal-conservadora aproveitou a data para
participar de um culto religioso organizado pela Assembléia de Deus em
Santa Catarina. O evento foi bancado pela prefeitura de Camboriú e
pelo governo do estado, ambos administrados por tucanos. Eles
destinaram R$ 540 mil para o evento, nos quais alguns pastores fizeram
orações em apoio explícito a José Serra. A mídia demotucana, que
critica tanto as centrais sindicais por receberem recursos públicos,
preferiu ocultar a doação “sagrada”.

Teste de múltipla escolha

Mas por que José Serra não foi aos atos do 1º de Maio? Afinal, como
ex-governador, ele até foi convidado oficialmente pela Força Sindical.
Para o presidente da central, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o
Paulinho, a resposta é simples: “Ele tem medo dos trabalhadores”. Há
outras hipóteses e o leitor pode votar numa das cinco elencadas abaixo
neste teste de múltipla escolha:

1) Como ex-deputado na Assembléia Nacional Constituinte, em 1987/88,
ele votou contra vários direitos dos trabalhadores, segundo
levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar
(Diap), e temia ser lembrado por seu nefasto passado e vaiado pelos
manifestantes;

2) Como ex-ministro de FHC, ele foi cúmplice da regressão trabalhista
promovida nos oito anos de reinado tucano, que gerou recordes de
desemprego, arrocho salarial, informalidade da mão-de-obra e
precarizaçao do trabalho. Serra, cupincha de FHC, seria lembrando por
esta tragédia;

3) Como ex-governador de São Paulo, Serra reprimiu violentamente todas
as mobilizações dos trabalhadores, como a recente greve dos
professores. Intransigente, ele nunca aceitou negociar com os
sindicatos ou com o MST. A vingança poderia ser maligna nos atos do 1º
de Maio;

4) Como candidato à presidente, o tucano representa o que há de mais
reacionário no patronato e expressa suas idéias de flexibilização
selvagem das leis trabalhistas. Será que ele teria coragem de defender
a redução da jornada de trabalho? Do contrário, tome mais vaias;

5) Todas as alternativas anteriores – e muitas outras.

Altamiro Borges.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Funcionários da Sabesp entram em greve

Olha so mais uma categoria em greve no Estado de São Paulo
e mais uma vez por causa de salário, e nossa mais uma categoria
q aparece quase diariamente na propaganda do governo demotucanos
demonstrando estar tudo bem, o que sera q esta ocorrendo no Estado de
São Paulo????
Acorda Brasil


LILIAN MILENA
Da Redação - ADV

Funcionários da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) paralisaram suas atividades por tempo indeterminado. O motivo é o atraso no pagamento da Participação de Lucros e Resultados (PLR) de 2009.

A decisão de recorrer à greve foi tomada ontem (29) pelos sindicatos dos Trabalhadores em Água Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema) e dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas de Santas, Baixada Santista, Litoral Sul e Vale do Ribeira (Sintius). Segundo assessoria da Sabesp, a companhia não irá se pronunciar enquanto não terminarem as negociações com o sindicato.

Os trabalhadores reclamam de falta de transparência na fórmula usada para determinar a PLR. Além disso, a empresa decidiu unilateralmente realizar o pagamento de apenas 65% do valor da folha de pagamento e considerando o salário base, ou seja, sem os adicionais por tempo de serviço, horas extras, por exemplo.

Segundo o porta-voz da Sintius, Fausto Simões Jr, a supressão dos adicionais resulta na redução de pelo menos R$ 6,5 milhões do montante que a Sabesp deveria repassar aos funcionários, referente aos lucros da empresa obtidos em 2009.

Em 2008 a companhia de abastecimento havia tomado as mesmas decisões quanto ao repasse do PLR. Na época, os sindicatos entraram com uma ação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) que deu ganho de causa aos trabalhadores por dez votos a zero. A empresa recorreu e a petição tramita hoje no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília.

TV Globo, o clip do Serra e os ingênuos

Altamiro Borges *


Adital -

Abaixo, leia também:
- Serra tira os sapatinhos para os EUA
- Serra é o anti-Lula e não o pós-Lula
O clima é de velório na TV Globo! Em menos de 24 horas, a poderosa emissora foi obrigada a retirar do ar um comercial comemorativo dos seus 45 anos que custou uma fortuna - envolvendo vários artistas e milionária produção. O clip parecia uma peça publicitária do presidenciável demotucano José Serra. Utilizava um bordão semelhante ao da sua campanha, "O Brasil pode mais", com as estrelas globais em coro implorando "todos queremos mais", e trazia em destaque o número 45, o mesmo da legenda do PSDB - inclusive com uma fonte de letra bastante similar.

O ousado e descarado comercial gerou uma imediata onda de indignação na globosfera. Marcelo Branco, um dos responsáveis pela campanha de Dilma Rousseff na internet, acusou a TV Globo de fazer propaganda subliminar do adversário. "Eu e toda a rede vimos essa alusão", disparou em seu twitter. Já o jornalista Paulo Henrique Amorim, do acessado blog Conversa Afiada, exigiu que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) averiguasse a possibilidade de crime eleitoral promovido pela emissora. O "clip pró Serra" foi exibido com críticas em centenas de sítios e blogs.
Desculpa esfarrapada e risível
Diante do levante dos internautas, a emissora colocou o rabinho entre as pernas e retirou o vídeo das telinhas e do seu próprio sitio. Quem clica na página recebe a curta mensagem: "página não encontrada". Numa nota lacônica, a Central Globo de Comunicação ainda tentou justificar a feia pisada na bola. Afirmou que o filme foi criado em novembro de 2009, quando "não existiam nem candidaturas muito menos slogans", e informou: "Mas a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação do filme".
A desculpa é das mais esfarrapadas e risíveis. Será que o candidato tucano, após reunião secreta no Jardim Botânico, roubou o mote do comercial comemorativo de TV Globo? Seria mais um crime de plágio, tão comum a Serra. Ou foi a emissora que aproveitou o lema de campanha da oposição para fazer propaganda antecipada? Seria um nítido crime eleitoral. Ou as duas hipóteses? Os vínculos políticos entre Serra e a famíglia Marinho são antigos e notórios. A TV Globo teria todo o tempo hábil para cancelar o clip e evitar o vexame, mas preferiu apostar no seu prestígio.
Uma emissora "tendenciosa" e cínica
Quanto a ser tachada de "tendenciosa", como afirma a risível nota, isto não é uma acusação, mas sim um fato - comprovado pela história. A TV Globo tentou fraudar a vitória de Leonel Brizola nas eleições para o governo do Rio de Janeiro em 1982. A TV Globo escondeu as manifestações das Diretas-já, tratando um gigantesco ato em São Paulo como "uma festa de aniversário" da cidade. A TV Globo forjou a imagem do "caçador de marajás" para garantir a vitória de Collor de Mello em 1989. A TV Globo criminaliza os movimentos sociais, tratando-os como "caso de polícia", e faz de tudo para desestabilizar o governo Lula - inclusive apostando no seu impeachment.
Mais recentemente, a TV Globo foi a principal patrocinadora do seminário da Casa Millenium, que reuniu os barões da mídia com o objetivo explícito de traçar uma tática unitária para derrotar Dilma Rousseff. Os astros globais, como Arnaldo Jabor, Willian Waack e outros, foram os mais hidrófobos nos ataques à candidata que representa a continuidade do projeto do governo Lula. O clip pró Serra talvez tenha sido uma das peças da TV Globo para a batalha sucessória. Mas a poderosa emissora, que se acha um semideus, acabou se dando mal e pagou um baita mico.
"Foi sem querer, querendo"
Este episódio grotesco traz várias lições. Por um lado, comprova que a batalha eleitoral deste ano será das mais sujas e ardilosas e confirma que os principais meios de comunicação já escolheram o seu lado e não vacilarão na campanha. Não dá para ser ingênuo ou alimentar qualquer ilusão na pretensa neutralidade da mídia. Por outro, ele mostra que a sociedade está mais atenta diante das manipulações e indica que a internet terá maior influência e será uma arma poderosa neste pleito, ajudando a fiscalizar as sujeiras e manobras dos barões da mídia.
Para Rodrigo Vianna, do blog Escrevinhador, "o interessante é que o recuo da Globo mostra que eles temem a internet. Foi pela internet que se deu o alarme contra a propaganda descarada para o Serra. A Veja pode se dar ao luxo de cair no gueto da extrema-direita... A Folha e o Estadão também podem cair no gueto. Já caíram. Mas a TV Globo, não. Ela fala para milhões. Se ficar colada à imagem dela o rótulo de antipopular, o estrago será enorme. A Globo - a essa altura do século 21 - precisa agir com um pouco mais de cautela. Vai fazer campanha para o Serra, não resta dúvida. Mas sempre que isso ficar escancarado, ela vai recuar e dizer: ‘foi sem querer, querendo’".
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Serra tira os sapatinhos para os EUA
O presidenciável demotucano José Serra vai aos poucos soltando suas asinhas. Quando sua pré-candidatura foi oficializada, no início de abril, ele se fingiu de bonzinho. Evitando se confrontar com a alta popularidade do presidente Lula, afirmou que manteria o que há de positivo no atual governo e lançou o bordão adocicado "O Brasil pode mais" - que logo foi encampado pela TV Globo numa desastrada propaganda subliminar. Mas o "Serrinha paz e amor" não se sustenta. É pura estratégia eleitoral, coisa de marqueteiro esperto para embalar um produto falsificado.
Na semana passada, num evento com empresários de Minas Gerais, José Serra começou a fazer a demarcação dos projetos em disputa da eleição de outubro. Ele criticou o Plano de Aceleração do Crescimento, o que reforça a confissão à revista Veja do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, de que o PAC será extinto. Também afirmou que irá "rever o papel" do BNDES. O que chamou a atenção no seu discurso, porém, foi o ataque ao Mercosul. Para ele, o bloco regional "atrapalha as relações comerciais do Brasil". O discurso deve ter agradado aos seus amos dos EUA.
"Alinhamento automático" com o império
De há muito que a política externa do presidente Lula, mais altiva e ativa na defesa da soberania nacional, é motivo de duras críticas da oposição neoliberal-conservadora. Os demotucanos nunca engoliram a prioridade dada ao Mercosul e à integração regional; tentaram sabotar o ingresso da Venezuela no bloco regional e são inimigos declarados dos governos progressistas da região; não se pronunciaram contra o golpe militar em Honduras, mas condenaram o governo por dar abrigo ao presidente deposto. Para eles, como revela José Serra, a integração latino-americana atrapalha.
Presença nauseante nos telejornais da Globo e nas páginas dos jornalões e revistonas direitistas, os embaixadores tucanos Celso Lafer, Rubens Barbosa e Luiz Felipe Lampreia sempre pregaram o retorno à política de FHC do "alinhamento automático" com os EUA. No episódio recente da ameaça do governo Lula de retaliar produtos ianques em oposição ao seu protecionismo, alguns deles saíram em defesa dos EUA. Eles temem qualquer postura mais soberana diante do império. São contra a política de diversificação comercial do Brasil, contra a ênfase nas relações Sul-Sul.
Complexo de vira-lata dos demotucanos
Este é o time do candidato José Serra. Essa é a sua orientação para a política externa. Na prática, a oposição neoliberal-conservadora sonha com o retorno ao "alinhamento automático". Mercosul e outras iniciativas visando quebrar o unilateralismo imperial seriam enterradas com a eleição do demotucano. O Brasil regrediria para o triste período de FHC, de total subserviência às potências capitalistas - do complexo de "vira-lata". Serra tenta se afastar da imagem desgastada de FHC, mas sua política externa seria idêntica - não como farsa, mas como tragédia no mundo atual.
Para entender o que representaria este retrocesso vale a pena ler o livro "As relações perigosas: Brasil-Estados Unidos (de Collor a Lula, 1990-2004)", do renomado historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira. Ele comprova, como farta documentação, como a política externa regrediu nos oito anos de reinado de FHC. Neste período nefasto, o país só não aderiu ao tratado neocolonial dos EUA, a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), devido à reação da sociedade. Esta resistência também evitou que Alcântara, no Maranhão, virasse uma base militar ianque.
Tratamento humilhante para o Brasil
Entre outros casos vexatórios da política de FHC, Moniz Bandeira relata a sumária exoneração do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI) do Itamaraty, por este ter alertado o governo para os graves riscos da Alca. Cita a atitude acovardada do ex-ministro Celso Lafer diante das pressões dos EUA para afastar o embaixador brasileiro José Maurício Bustani da direção da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), ligada à ONU, por este ter tentado evitar a guerra genocida no Iraque. Lembra ainda os discursos do ex-ministro de FHC propondo a participação do Brasil no genocídio no Iraque com base no draconiano Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR).
O ápice dessa postura subserviente se deu quando o diplomata aceitou tirar seus sapatinhos nos aeroportos dos EUA. "Em 31 de janeiro de 2002, Celso Lafer, ministro das Relações Exteriores do Brasil, sujeitou-se a tirar os sapatos e ficar descalço, a fim de ser revistado por seguranças do aeroporto, ao desembarcar em Miami. Esse desaire, ele novamente aceitou antes de tomar o avião para Washington, e mais uma vez desrespeitou a si próprio e desonrou não apenas o cargo de ministro, como também o governo ao qual servia. E, ao desembarcar em Nova York, voltou a tirar os sapatos, submetendo-se, pela terceira vez, ao mesmo tratamento humilhante".
Subserviência ou soberania nacional?
Com base nas suas pesquisas, Moniz Bandeira garante que a eleição de Lula deu início a uma guinada na política externa, retomando a trajetória seguida por Vargas e outros nacionalistas. Ele lembra os discursos do então candidato contra a Alca, a indicação de Celso Amorim e de Samuel Pinheiro para o seu Ministério de Relações Exteriores, a prioridade às negociações do Mercosul, os esforços para a construção de um bloco regional sul-americano e a frenética investida na diversificação das relações com outros países em desenvolvimento - como China, Índia e Rússia. Cita ainda os duros discursos contra a ocupação do Iraque e o veto à base ianque em Alcântara.
Para o autor, após a longa fase de subserviência ao império, as relações do Brasil com os EUA voltaram a ficar tensas. Ele registra os vários discursos hidrófobos da direita estadunidense e não descarta manobras ardilosas e violentas para sabotar o atual projeto de autonomia nacional. Mas se mostra confiante na habilidade e ousadia da atual equipe do Itamaraty. Reproduzindo artigo do jornal O Globo, ele afirma que "há tempos (Celso Amorim) avisou a embaixadora dos EUA que não há força no mundo capaz de fazê-lo tirar os sapatos durante a revista de segurança dos aeroportos americanos. ‘Vou preso, mas não tiro o sapato’". Conforme indica Moniz Bandeira, este é o dilema do Brasil na atualidade: subserviência ou soberania nacional?
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Serra é o anti-Lula e não o pós-Lula
Diante da crescente popularidade do governo Lula e da sua comprovada capacidade de transferir votos para a pré-candidata Dilma Rousseff, o grão-tucano José Serra decidiu se travestir de "pós-Lula". Na festança que ratificou o seu nome, na semana passada, o ex-governador paulista vestiu a pele de cordeiro - logo ele, um lobo sanguinário, conhecido por sua truculência e intolerância. Ele evitou ataques frontais ao presidente Lula e até fez elogios a algumas ações do atual governo.
Cínico e demagógico, o presidenciável demotucano prometeu que, se for eleito, vai "manter as iniciativas positivas e melhorar nas deficiências". Evitando fazer comparações entre os governos FHC e Lula, que ele sabe que seriam desastrosas para a sua ambição, Serra se apresentou como o candidato do futuro. Numa cópia rastaqüera do lema "Yes, we can", utilizado por Barack Obama nas eleições dos EUA, ele anunciou que seu bordão de campanha será "O Brasil pode mais".
"Serrinha paz e amor"
Caradura, José Serra tentou até se apropriar do bom momento vivido pela economia brasileira, expresso na geração de emprego e renda. "Somos militantes desta transformação, protagonistas mesmo, contribuímos para essa história de progresso e de avanços do nosso país. Nós podemos nos orgulhar disso", afirmou, escondendo que os oito anos do triste reinado de FHC foram de estagnação econômica, recorde de desemprego, precarização do trabalho e arrocho salarial.
Nesta fase do "Serrinha paz e amor", até o senador-jagunço Sérgio Guerra, presidente do PSDB, fingiu-se de civilizado. Afirmou que a candidatura demotucana não será raivosa, mas que visaria "avançar e aprofundar as conquistas já obtidas". Enquanto Serra e outros dissimulados alisaram, outros mais afoitos mostram as suas garras. Roberto Freire, o traíra do PPS, foi o mais agressivo, destoando da tática combinada - o que indica que persistem dúvidas sobre a linha da campanha.
Fugindo do confronto programático
A estratégica definida pelo comando demotucano, que tenta vender a imagem do candidato pós-Lula, realmente é de alto risco. Não dá para esconder o trágico passado de FHC, a sua "herança maldita", nem para minimizar o papel do ex-ministro José Serra nos anos do tsunami neoliberal. Por mais que os marqueteiros tentem limpar a sua imagem, ele será visto como o "anti-Lula" - e não como o "pós-Lula". As recentes pesquisas confirmam esta tendência, com o crescimento da candidata que de fato representa a continuidade do ciclo político aberto pelo presidente Lula.
Na prática, o notívago José Serra vive um profundo dilema, o que deve agravar as suas insônias. Sabe que não pode aparecer como um opositor hidrófobo ao governo Lula, que bate recordes de popularidade - esse papel sujo ficaria para os outros, principalmente para os seus amiguinhos da mídia. Por outro lado, ele precisa se diferenciar de Dilma Rousseff, a candidata de Lula. Sem programa e sem discurso, ele tentará comparar biografias, evitando o confronto programático.
Blefe ou lobo em pele de cordeiro?
O dilema parece insolúvel. Para o sociólogo Emir Sader, o presidenciável demotucano não terá como fugir do debate programático. "Dilma representa o aprofundamento do projeto de oito anos do governo Lula, ocupa o espaço da esquerda no campo político. Já Serra representa as mesmas forças que protagonizaram os oito anos do governo FHC, que implementou o neoliberalismo no Brasil, governo de que o próprio Serra foi ministro todo o tempo. São dois projetos, dois países distintos, dois futuros diferenciados, para que o povo brasileiro os compare de decida".
No mesmo rumo, o historiador Luiz Felipe de Alencastro afirma que José Serra vai se atolar neste impasse. "Ele não pode elogiar o Fernando Henrique e não pode atacar o Lula. Que candidato ele pode ser? Qual é o seu terreno? Ele pode ser um blefe nesse sentido. Na campanha, vai ter de prometer continuidade para os programas do PT. Quando Sérgio Guerra disse que o PSDB faria tudo diferente, foi um desastre... Falou disparates e levou um cala-boca do partido", explicou numa recente entrevista ao jornal Valor.
"Um blefe", como afirma Alencastro; ou "um lobo em pele de cordeiro", como alfinetou Dilma Rousseff numa certeira critica aos discursos dissimulados pelo José Serra? Ou ambos?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O RODOANEL NA POLÍTICA DE EXPANSÃO METROPOLITANA: QUEM PAGA A CONTA?

Renato Arnaldo Tagnin

O Rodoanel é uma rodovia proposta pelo governo estadual, para
responder a problemas de congestionamento de veículos e de fluxos de
carga que atravessam a Região Metropolitana de São Paulo.
Como vem evoluindo a metrópole e quais poderão ser os efeitos dessa solução?
É freqüente ouvirmos comentários e lermos nos jornais que a ocupação
urbana aqui é caótica, irregular ou desenfreada. Dito assim parece um
problema sem causas ou responsáveis, portanto, fica impossível pensar
e agir para alterar essa situação. Procuremos analisar algumas pistas.
Depois do grande crescimento econômico e populacional, que durou até o
começo da década de 1980, a área urbana da metrópole continuou
crescendo, mostrando uma expansão que não se baseia no desenvolvimento
industrial, na oferta de empregos e nas grandes migrações do passado.
Ao se analisar os dados e os estudos feitos sobre o crescimento da
área ocupada e o adensamento populacional da metrópole, o que se
observa? Em primeiro lugar, a metrópole já não cresce tanto em termos
populacionais. Em segundo lugar, as áreas centrais, mesmo com todos os
prédios em construção estão com cada vez menos moradores, deixando sua
infra-estrutura em parte ociosa e, em contrapartida, as periferias não
param de se expandir. Em terceiro lugar, as periferias que crescem
seguem uma ordem e apresentam uma configuração homogênea; portanto,
não são “caóticas” ou “irregulares”.
Esse processo mostra uma lógica: todos querem morar bem e próximos de
tudo que interessa: emprego, infra-estrutura e equipamentos públicos,
creches, hospitais, meios de transporte de massa etc. Ocorre que, nos
locais onde existem essas condições básicas para se viver numa cidade
o preço dos imóveis sobe e quem não pode pagar e realmente precisa
dessas condições – a população mais pobre - tem de se afastar.
Afastar para onde? Para qualquer lugar, onde for possível sobreviver.
Quanto mais distante, precário, inseguro e desprovido de qualquer
assistência governamental ou amparo legal for esse lugar, mais barato
viver ali. Nesses locais, o jeito é buscar improvisar a moradia em
pedaços de lotes, divididos com outras pessoas e construí-la com
materiais precários, saneamento improvisado, sem acabamento, encostada
a outras, sem espaços suficientes para ventilação ou iluminação
adequadas, sobrando ruas ou passagens estreitas e sem condições de
acesso a caminhões de coleta de lixo, a bombeiros, ambulâncias,
dificultando até mesmo escapar em caso de incêndio, bastante provável,
também, pela precariedade das instalações de gás e eletricidade.
Penduradas em barrancos, ou na beira de córregos, cada uma dessas
moradias abriga várias famílias, com muitas crianças morando juntas,
muitas vezes rodeadas por esgoto e lixo.
Como se pode observar, essa situação é comum em toda a periferia e
nada tem de caótica ou irregular. Ao se ter contato com essa
realidade, fica difícil não se escandalizar e questionar a falta de
políticas, como a de habitação, transportes, mananciais etc. Será que
elas não existem?
Política é normalmente conceituada como o que um governo escolhe
fazer, ou ele escolhe não fazer e o resultado das duas atitudes.
Vamos, então, observar como essas escolhas e efeitos nos permitem
identificar quais são as políticas aqui praticadas pelos governos.
Ao privilegiarem melhorias em determinadas regiões, como nas áreas
centrais, sem se dedicarem a criar condições para que as populações
mais pobres permaneçam nessas áreas e se beneficiem dos investimentos,
os governos têm promovido a transferência de mais renda do setor
público (a nossa) para os proprietários dos imóveis melhor
localizados, que têm renda suficiente para mantê-los; resultado:
empurram os mais pobres para fora desses locais. Essa é uma das formas
pelas quais os governos têm continuado a concentrar a renda em pequena
parcela da população e promovido a conhecida exclusão social de grande
parte da população.
Infelizmente, como muitos estudos confirmam, a nossa região tem
ajudado o Brasil a ser um dos maiores campeões do mundo em exclusão
social e concentração de renda. Na medida em que outras oportunidades,
como a oferta de empregos, também se concentram nas áreas centrais,
fica mais fácil entender como a falta de perspectivas dignas permite à
criminalidade recrutar tantos jovens, aumentar os níveis de violência
na cidade e comprometer o futuro de todo o mundo.
Acontece que, além da mão de obra barata, que chegue com boa aparência
e pontualmente para trabalhar, quem mora nos locais privilegiados da
cidade precisa de outras coisas da periferia: água, qualidade do ar,
controle de enchentes, um clima mais equilibrado, produtos agrícolas,
lenha e carvão, areia e pedras para construção e locais para dar um
‘sumiço’ no lixo e nos esgotos.
As alternativas habitacionais para essa parcela da população pobre,
quando existem, também são oferecidas nesses locais distantes, porque
o investimento governamental na compra dos terrenos é menor. Uma vez
ocupados esses lugares, com muita pressão política legítima das
populações, algum nível de investimento em infra-estrutura pode ser
conseguido, ao longo do tempo. A partir daí, o processo de valorização
dos imóveis e expulsão dos que não podem pagar passa a ocorrer também
nessas periferias, alimentando a contínua busca de novos espaços
viáveis, por parte daqueles que não podem arcar com os benefícios.
Esses espaços “viáveis” são criados, em geral, com a retirada da
vegetação que sobrou fora da cidade, que ainda ajuda na produção e
preservação da água.
Anos atrás, pela sua raridade e importância, a faixa que ainda tinha
algum nível de vegetação em torno da metrópole, em boa parte já
considerada legalmente como de ‘proteção aos mananciais’, passou a ser
chamada ‘Cinturão Verde da Cidade de São Paulo’, ganhando o
reconhecimento internacional da UNESCO, como ‘Patrimônio da
Humanidade’. Aqui, infelizmente, além de alguns institutos de pesquisa
e organizações sociais que não têm meios para protegê-las, esse
patrimônio não é reconhecido pelos nossos governantes.
O resultado é que a política metropolitana tem utilizado a periferia
para esconder seus problemas, a sujeira que a região produz e as
populações que exclui. O pior é que, nela há áreas frágeis e de
importância fundamental, onde a vegetação protege locais sujeitos a
deslizamentos, segura a água que pioraria as inundações da cidade e
produz aquela que bebemos. Nessas áreas, os problemas estão alcançando
diretamente as represas, as nossas caixas d’água.
Vocês sabem como elas estão? É difícil conhecê-las sem se escandalizar
com o cheiro, com o que bóia e afunda ali. Há ainda o que proteger,
mas não por muito tempo!
As políticas governamentais vigentes estão claramente reforçando esse
processo de avanço, sem a imposição de qualquer controle. É como
construir um carro com um potente acelerador, sem equipá-lo com
volante ou freio!
Quando os governos escolhem o que vão gerir, em que gastar, que
serviços prestar, que obras fazer, onde e, principalmente, para quem
elas se destinarão eles determinam a maior parte dos movimentos de
valorização imobiliária que comandam a expansão, o adensamento, a
qualidade de vida e o desenvolvimento de uma região.
No caso da metrópole paulistana, a responsabilidade principal da sua
gestão tem sido do governo estadual, mesmo hoje em que há regulamentos
– ainda não aplicados aqui - que determinam uma maior democratização
dessa gestão.
Além de ser o responsável maior por essa política metropolitana de
expansão urbana, concentração de renda, exclusão social e degradação
ambiental, acima descrita, o governo estadual é o proponente e o
empreendedor do Rodoanel. O que uma coisa tem a ver com a outra?
Por falta de espaço, não trataremos aqui de todas as deficiências do
projeto, como é o caso dos precários levantamentos utilizados para
justificar a sua “demanda”, o simplório leque de opções estudado, sem
adequado debate (mais uma evidência da falta de democratização da
gestão metropolitana), além da crônica falta de investimentos em
transporte público, como atesta a pífia rede de trens e metrô.
De todas essas deficiências, e mesmo como resultado delas, aqui
interessa destacar que o Rodoanel vai ocupar as últimas áreas livres e
verdes da metrópole. Por quê?
É mais barato! Essa opção é coerente com a política já apontada, que
também não atribui valor algum à produção de água, ao controle de
enchentes, ao equilíbrio climático e ao controle da poluição que essas
áreas ainda realizam e que garantem alguma condição – cada vez mais
precária – de vida na metrópole.
A imprensa ajuda a tornar essas áreas baratas e a isentar os
governantes pela sua perda. Ultimamente, a abordagem mais freqüente
que lemos nos jornais é a de que “Chuva causa enchente” e que mais
obras serão necessárias. Quando falta água, é por que ‘não choveu’ e
tome aí mais obras; sempre com o nosso dinheiro, claro! Mesmo quando
pode ler jornais, a população não tem muitas perspectivas de avançar
no conhecimento, para sair dessas ‘arapucas’ e melhorar sua condição
de vida.
Na medida em que perdemos esse potencial de prevenir a falta de água e
as enchentes, pela destruição sucessiva das condições naturais que
fazem isso de graça, a brincadeira sai cara e o dinheiro,
curiosamente, beneficia os mesmos grupos – os que fazem as obras, os
que as inauguram e os que ainda poderão continuar morando nos locais
que as receberam.
Além de se constituir numa obra extensa e larga, o projeto do
Rodoanel, tal como está proposto, precisa de uma pista com pequenas
inclinações, para facilitar um grande volume de tráfego em alta
velocidade. Para isso, há duas opções: colocá-lo sobre viadutos, ou
apoiá-lo no solo, cortando e aterrando o terreno em todo o percurso,
principalmente nos mananciais, onde ele é mais acidentado. Por mais
cuidados que se tome, desmatar e aterrar esses locais acaba com suas
nascentes de água, permitindo que ali aconteça tudo, menos a produção
de água - função que define o que é um ‘manancial’.
Para assegurar que a obra não fará isso, seus promotores têm divulgado
que a engenharia de rodovias evoluiu muito e apresentam como prova
disso, a nova pista da Rodovia dos Imigrantes, que causou menores
impactos negativos que as obras tradicionais, por estar assentada
sobre túneis e viadutos, em quase todo o seu percurso. Ao concordarmos
que isso é uma evolução, criamos um problema para o governo, por esse
alegar que não há recursos para se fazer o Rodoanel desse jeito.
Impressiona essa forma de tratar a inteligência do eleitor e os
recursos do contribuinte...
Nada como a realidade para demolir os discursos. O trecho Oeste do
Rodoanel, já implantado, traz tudo o que precisamos saber sobre ele;
da falta de cuidados na construção, aos efeitos negativos de seu
funcionamento, coroados pela ausência total de controles
governamentais sobre a desobediência a normas técnicas na obra, a
falta de resolução dos problemas gerados e o descumprimento das
obrigações e responsabilidades sociais e ambientais, formalmente
assumidas por ocasião de seu licenciamento.
Farta documentação, preparada por moradores próximos, instituições de
pesquisa, organizações sociais, ambientalistas e alguns técnicos de
prefeituras registra esses problemas que permanecem, em sua maior
parte, sem solução.
A alegada “competência” da engenharia fica prejudicada por falhas
graves no projeto e na própria execução da pista, que sofreu
afundamentos e desbarrancamento de encostas por sondagens, projetos,
taludes e drenagens mal feitas, em vários trechos. Dessas deficiências
resultam acidentes, interrupções no tráfego do Rodoanel em si e das
rodovias interligadas, além de dificuldades de acesso a caminhões de
grande dimensão; justo a “clientela” utilizada para justificar a
necessidade do Rodoanel.
Da extensa lista de compromissos assumidos como condição da obra ser
permitida, poucas ações foram concluídas ou realizadas para reduzir os
impactos negativos da obra. Mesmo assim, ela foi licenciada e colocada
em funcionamento, evidenciando que o órgão ambiental responsável por
essas licenças, que é subordinado ao governo que realiza a obra, se
submeteu a ele e não à legislação que aplica aos demais cidadãos e
empreendedores.
Nesse contexto de falhas graves de engenharia, impactos negativos sem
solução, descumprimento de qualquer compromisso assumido ou exigência
legal e sem que órgãos responsáveis exerçam qualquer controle, a quem
podemos recorrer?
Isso é ainda mais grave se considerarmos que também houve o
compromisso formal interno ao próprio governo estadual, em 1997, entre
as secretarias de transportes, meio ambiente e transporte
metropolitano de seguir diretrizes na concepção e implantação do
Rodoanel. Essas diretrizes incluem a adoção de medidas necessárias ao
controle do maior impacto que essa obra pode ter: aumentar a
velocidade de ocupação de toda a periferia, incluindo os mananciais.
Este impacto é ocasionado pela melhoria das condições de acesso a
novas áreas, ainda desocupadas e protegidas, a partir de qualquer
ponto da cidade ou de fora dela, considerando a falta total de
controles e as políticas vigentes de ocupação.
Essas diretrizes, que incluíam a implantação de um parque contínuo,
nos dois lados, ao longo de toda a rodovia em sua passagem pelos
mananciais, não estão sendo obedecidas e, ainda, os “estudos”
contratados pelo empreendedor, para avaliar impactos descartaram
qualquer influência significativa do Rodoanel na expansão da cidade.
Essas conclusões contrariam outras avaliações e a própria realidade.
Já em 1997, empreendedores imobiliários anunciavam pela imprensa que a
superfície da cidade iria duplicar com o Rodoanel, considerando as
mudanças de centros atacadistas, de distribuição de mercadorias e de
indústrias, além da valorização de áreas periféricas para a
implantação de loteamentos de alto padrão. Apesar do próprio governo
se utilizar desses argumentos como vantagens da obra, o “estudo”
contratado conclui que isso não terá qualquer efeito no crescimento da
cidade. É impressionante: o fenômeno existe apenas se for para
“vender” a idéia do Rodoanel!
Ao mesmo tempo, a implantação do trecho Oeste foi mostrando o óbvio: a
ocupação das últimas áreas que ainda conservavam alguma vegetação
naquela região, piorando as condições de poluição do ar, das enchentes
e da falta d’água para o abastecimento, seja ali, como no conjunto da
região.
Agora, a mesma situação se repete nos mananciais do trecho sul e seus
efeitos também já podem ser sentidos, antes mesmo da implantação da
obra. Os negócios imobiliários estão aquecidos, os terrenos já
apresentam valorização e estão sendo comercializados, contando com o
acesso direto e indireto ao Rodoanel. Onde buscar essas evidências:
jornais, revistas, imobiliárias e população em geral, além da visita à
área.
Considerando que muita gente pobre foi empurrada para morar ali, essa
valorização vai provocar o mesmo movimento de sempre: afastar esses
moradores para lugares mais distantes e despreparados para recebê-los:
as últimas áreas que sobraram para produzir água. Como se pode ver,
essa política governamental de expansão metropolitana, aproveita-se
das obras, da falta de aplicação da lei, do desconhecimento da
população, da mídia e das forças do mercado para se viabilizar.
Dentre seus efeitos mais dramáticos para a cidade, está a perda da
capacidade de produção de água, que já é muito inferior à necessidade.
De acordo com os padrões que a ONU se utiliza para avaliar a
disponibilidade de água, na Região Metropolitana de São Paulo a
quantidade de água por habitante é mais de sete vezes pior à
classificação mais crítica. Mais da metade da água que consumimos aqui
vem de outras regiões, como a de Campinas (que está mais de três vezes
pior que a situação mais crítica na classificação da ONU), onde a
falta de água vem dificultando cada vez mais o desenvolvimento e o
saneamento de dezenas de municípios e milhões de pessoas.
Nesse contexto de escassez, produzir água aqui parece ser um bom
negócio. No entanto, mesmo que a legislação de proteção aos mananciais
preveja - há décadas - compensações aos municípios produtores, o
governo estadual também não aplica isso. O pouco que havia de recursos
no orçamento para as ações de “Compensação Financeira a Municípios”,
foi cortado pelo governo estadual para 2006 e o mesmo ocorreu com as
ações de “Desenvolvimento Sustentável”, destinadas a identificar
alternativas de geração de emprego e renda adequadas à preservação
ambiental no entorno das unidades de conservação.
Sem qualquer compensação pela água que produzem, nem alternativas
econômicas permitidas e incentivadas pelo governo estadual e, ainda,
recebendo continuamente os contingentes de excluídos do restante da
metrópole, a esses municípios periféricos resta driblar as restrições
legais (à urbanização, indústrias e demais atividades econômicas) da
proteção aos mananciais, para se sustentarem. Esta situação pode ser
considerada mais uma das sólidas bases da política de expansão
metropolitana.
Nesse contexto, qualquer obra ou investimento que lhes seja oferecido,
passa a ser fundamental e, em face do nível de carência em que se
encontram interessam, sobretudo, os benefícios de curto prazo. Efeitos
negativos para a metrópole, como a ocupação dos mananciais, não
preocupam a maioria desses municípios; ao contrário, já que isso pode
significar alguma perspectiva de sustento e desenvolvimento.
Por essas razões, ao serem chamados a se manifestar sobre os impactos
do Rodoanel, muito poucos municípios colocaram preocupações ou
exigências de compensações significativas pelos impactos negativos que
terão em relação a ele. Sem essas condições e não havendo exigências
maiores do órgão licenciador - subordinado ao governo que quer
realizar a obra e colher seus benefícios eleitorais no curto prazo -
poucas serão as chances de que sejam colocados controles, ou de que
haja cobrança de condições para a obra.
Um dos argumentos utilizados pelo empreendedor para justificar o
descumprimento dos compromissos do trecho Oeste foi a falta de
recursos. No caso do trecho Sul, já foi amplamente noticiado que, por
enquanto, há recursos para começar a obra, devendo o restante ser
buscado e resolvido mais adiante. Novamente, vejamos como estão os
compromissos quanto aos investimentos que deveriam acompanhar o
Rodoanel: os “Centros Logísticos Integrados” e o “Ferroanel” foram
esquecidos na proposta orçamentária do governo, apesar de terem sido
utilizados para justificar as condições da obra de resolver a questão
do transporte de cargas. Recomeçamos bem!
Quem já acompanhou obras desse tipo sabe que não há nada pior que
começar e parar, principalmente da forma que se anuncia, em várias
frentes ao mesmo tempo. A destruição da vegetação e a realização de
cortes e aterros para nivelar a estrada, abrem a possibilidade de
destruição ainda maior dos mananciais, pois a ação das chuvas intensas
daquela região, atingirá solos frágeis e de alta declividade, como são
os trechos a serem percorridos pelo Rodoanel, causando a destruição de
áreas ainda maiores, piorando os danos aos córregos e reservatórios.
Além da falta de água, a situação da região metropolitana é agravada
pela má qualidade daquela que já existe nos mananciais Guarapiranga e
Billings – situação da qual a população não tem sido informada pelas
autoridades responsáveis. As bacias desses reservatórios, ao serem
percorridas pelo trecho Sul do Rodoanel, sofrerão efeitos que
agravarão sua situação, podendo inviabilizar sua utilização. Isto
porque o tratamento dessas águas já demanda pesados e crescentes
investimentos na tentativa de torná-las potáveis, nem todos ainda
realizados.
Ainda que em nível insuficiente à necessidade, é nisto que o governo
tem investido: tentar melhorar o tratamento à medida que a qualidade
da água vai piorando, ou tentar sanear alguns bairros situados dentro
dos mananciais. Isto, depois que a ocupação avança e se consolida.
Coerentemente com a política metropolitana de expansão: nada de
prevenção!
Mesmo com essas tentativas atrasadas e muito inferiores à necessidade,
o governo corta os poucos recursos destinados a elas no seu orçamento,
como está ocorrendo para este ano de 2006.
Apesar da retórica de que as questões ambientais são importantes, a
realidade, as atitudes na viabilização do Rodoanel e os recursos nos
dão outro quadro: houve redução na participação, já inexpressiva, da
Secretaria do Meio Ambiente (de 0,56% para 0,51%) no orçamento do
Estado, implicando na redução ou manutenção de recursos irrisórios
para ações como as de “Controle Ambiental” e “Recuperação de Áreas
Degradadas”, entre outras.
Mesmo aprovadas na Lei de Diretrizes Orçamentárias, desapareceram da
proposta orçamentária do governo ações como a de “Controle de
Ocupações Irregulares em Áreas de Proteção e Recuperação de Mananciais
da Grande São Paulo”. Já os programas de “Planejamento e Gestão
Ambiental para o Desenvolvimento Regional Sustentado” e o de
“Saneamento Ambiental em Mananciais de Interesse Regional” tiveram
seus recursos reduzidos para menos da metade.
Tratando-se de resgate social àquelas comunidades sucessivamente
marginalizadas, também sofreram redução no orçamento para 2006 os
recursos que vinham sendo destinados a programas habitacionais como
“Morar Melhor”, “Atuação em Cortiços” e “Urbanização de Favelas e de
Núcleos Habitacionais”. Recursos também inexpressivos em relação à
demanda habitacional foram destinados para o Programa “Saneamento
Ambiental em Mananciais de Interesse Regional” e a ação “Mananciais do
Alto Tietê”.
Como enfrentar essas mazelas e proteger o que restou?
Há um longo caminho a ser percorrido, que deve começar, pela sua
urgência, em relação ao Rodoanel. Nesse sentido, deve ser exigido do
empreendedor – aqui entendido como a Dersa e o conjunto do governo
estadual - como condição básica para o licenciamento, as seguintes
providências:
1. Honrar compromissos assumidos anteriormente:
a. Reparar os passivos e cumprir o que foi acordado em relação ao trecho Oeste;
b. Cumprir as diretrizes que foram acordadas em 1997 entre as
Secretarias de Estado de Transportes, Meio Ambiente e Transportes
metropolitanos – que incluem o equacionamento de uma política
metropolitana, com os municípios atingidos, além do parque linear em
todo o percurso nos mananciais e não apenas no Município de São Paulo;
2. Adotar garantias adicionais ao cumprimento dos compromissos:
a. Antecipar as compensações e mitigações em relação às obras da rodovia em si;
b. Arcar, permanentemente, com os recursos necessários à manutenção
das áreas protegidas a serem criadas como compensação;
c. Criar comissão independente, integrada por um colegiado de
representantes da universidade e de ONGs para avaliar o andamento e o
cumprimento das exigências e medidas de caráter ambiental, que deverá
atestar esse cumprimento, periodicamente, como condição para a
liberação dos trechos de obra e das sucessivas licenças;
d. As ações de responsabilidade técnica no exercício da engenharia não
poderão ser consideradas como medidas de caráter ambiental e o seu
descumprimento deverá sujeitar os infratores, entre outras, a penas
limitadoras do exercício da profissão, devendo ser acompanhadas por
comissão específica;
e. A obra deverá ser concebida para, a exemplo da nova pista da
Rodovia dos Imigrantes, minimizar o apoio no solo, contando com obras
de arte, particularmente em função de dois fatores:
i. A fragilidade das áreas pelas quais deverá passar e;
ii. Porque essa obra da Imigrantes foi utilizada pelos promotores do
Rodoanel como exemplo de que a engenharia no país está desenvolvida o
suficiente para não causar impactos (se ela serve como argumento de
defesa, vamos aceitá-la).
3. Evitar os maiores impactos da obra:
a. Definir estratégia para reorientação da expansão urbana para fora
dos mananciais, indicando os responsáveis, prazos e custos articulados
às diferentes fases do Rodoanel; e
b. Viabilizar o programa de saneamento ambiental dos mananciais,
revisto para incluir como prioritárias em termos de prazo, alocação de
recursos e metas as ações preventivas à ocupação dos mananciais.
Essa relação de propostas deverá ser ampliada e melhorada para
constituir um ponto de partida. Resgatar a competência e a
credibilidade governamentais pressupõe um longo processo que incluirá,
necessariamente, a reorientação da atual política metropolitana, que
vem reduzindo as nossas perspectivas para o futuro.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Forasteiro Sem Paz

Ola hoje estou divulgando a participação do festival do 1 minuto do curta que fazendo parte
vejam o vídeo se puderem faça cadastro e vote no vídeo
mas so por assistir ja esta valendo
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valeu
paz